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Spiritual Bypassing: Quando a espiritualidade leva à alienação

Enviaram-me este artigo, que explica muito bem o que é o Spiritual Bypassing. Decidi partilhar pois serve como um alerta para todos nós. Também encontrei outro em inglês na Upliftconnect.com igualmente bom.

Vale lembrar aquela frase de Jung “não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.”

“Cada vez mais nos deparamos com uma ampla gama de promessas sobre caminho ou práticas espirituais que nos permitirão despertar e viver em um perpétuo estado de felicidade, liberdade de dor e expansão da consciência.

As opções estão por toda parte e das formas mais diversas: na nossa alimentação, nas leituras, práticas meditativas e contemplativas, orações, yoga e em dezenas de outras práticas, terapias e filosofias.

Eu pessoalmente sou uma apaixonada por este assunto, motivada por desentendimentos familiares, comecei conscientemente minha busca espiritual muito cedo, com 7 anos de idade e nunca mais parei. De lá pra cá estudei e pratiquei muita coisa, foram inúmeros retiros, estadias em ecovilas, viagens de estudos para países como Índia, Tailândia, Marrocos e vários outros, as diversas dietas alimentares, práticas físicas e meditativas, os vários cursos que foram do Tarô à física quântica e por ai vai…

Nessa jornada conheci muita gente seguindo diversos caminhos e sempre me questionei sobre o limiar tênue entre a conscientização e a alienação que tais práticas podiam nos proporcionar.

Há cerca de 4 anos atrás, através de um querido amigo terapeuta e coach integral americano, escutei pela primeira vez sobre o tema Spiritual Baypassing (Desvio Espiritual) e aquela reflexão sobre o tal limiar tênue passou a fazer mais sentido pra mim.

Spiritual Baypassing foi um termo criado pelo psicólogo e professor Budista John Welwood para abordar a utilização de crenças e práticas espirituais como forma de evitar lidar com sentimentos dolorosos, feridas não resolvidas, suprimir ou fugir de questões desconfortáveis da vida.

Funciona como um mecanismo de defesa e fuga que por ser feito de uma forma “bonita” e de aparência “nobre”, é mais difícil de ser percebido, embora seja muito mais comum do que podemos imaginar. A maioria das pessoas que vive tal desvio espiritual, não se dá conta que isto está acontecendo e nem mesmo as pessoas que convivem com elas percebem.

Algumas demonstrações ou sintomas do spiritual bypassing incluem: alienação emocional e repressão, desapego exagerado, enfatizar em demasia o lado positivo, compaixão cega ou excessivamente tolerante, minimização ou negação da própria sombra, ilusão sobre o próprio despertar, visão de que tudo é ilusório incluindo o sofrimento como uma forma de fugir do mesmo, menosprezo ao pessoal ou mundano e desenvolvimento parcial.

Em um mundo em que nos encontramos rodeados de dor, estresse, sofrimento e mesquinharias, é, de certo, tentador enxergar nos caminhos espirituais uma resposta para se ver livre de tudo isso. Mas se isso for utilizado como um escapismo, acabamos por nos colocar em uma prisão utópica e alienada e o que era visto como caminho para salvação, tende a se tornar um “vício e perdição”, em outras palavras, uma nova droga.

Quando estamos passando por um spiritual bypass, muitas vezes usamos o objetivo de despertar ou de liberação para racionalizar o que eu chamo transcendência prematura: tentando nos elevar acima do lado cru e sujo de nossa humanidade antes de termos a enfrentado por completo e estarmos em paz com ela”. Welwood – tradução livre

O resultado que obtemos acaba sendo o oposto do que esperávamos, pois o desvio não nos distancia apenas de nossa dor ou questões delicadas de nossa vida mundana, como também de nossa autêntica espiritualidade.

Gosto muito da forma que o psicoterapeuta integral Robert Augustus Masters aborda o resultado do desvio espiritual dizendo que este nos distancia da nossa autêntica espiritualidade, nos mantendo em um limbo metafísico, numa zona exagerada de gentileza, bondade e superficialidade.

Só podemos estar realmente livres e despertos quando encararmos e abraçarmos os nossos traumas. A nossa verdadeira liberdade e integração não significa ausência da dor, mas a conscientização e aceitação da mesma.”

Fonte

Gabi Picciotto em thesunjar.com

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