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Se te sentes bloqueado é por isto…

A vida decorre por meio de ciclos. É fácil constatar isso na natureza. Na natureza as coisas simplesmente acontecem. As estações são honradas, os ciclos são respeitados e o movimento é atendido. A natureza floresce, dá frutos e morre, para nascer novamente. Em contrário, se este ciclo é interrompido deixa de haver vida.

Podemos sentir este ciclo nos nossos dias. A manhã corresponde à primavera, o verão ao meio da tarde, o outono ao entardecer e o inverno à noite. Ele também se pode aplicar à nossa vida. O nosso nascimento e a infância corresponde à primavera, a juventude até aos 40 anos corresponde ao verão, a maturidade da nossa vida até sensivelmente aos 60 anos é o outono, a velhice e morte do físico é o inverno. Como falei anteriormente em outros artigos, as mulheres vivem este ciclo mensalmente, através do seu ciclo menstrual.

Os ciclos são leis naturais, por isso podem ser transportados para qualquer situação. Os seus princípios devem ser honrados se queremos ser bem sucedidos num projecto, numa relação, ter saúde, harmonia e plenitude na nossa vida.

Na Primavera, nós podemos usar esta energia para agir, concretizar e fazer acontecer.

No Verão, é quando recebemos os frutos das nossas acções. Podemos relaxar e dar espaço para as coisas acontecerem. Desta forma, percebemos o nível de alinhamento que temos, consoante aquilo que estamos a receber.

No Outono, as folhas caiem, elas simbolizam o que não serve mais na nossa vida. Nesta fase, temos que ter disponibilidade para ver a verdade, o que às vezes não é fácil, mesmo quando está à frente do nosso nariz.

Por fim, no Inverno voltamos ao centro. Este recolhimento permite recuperar forças, reflectir, ajustar, planear e deixar ir as folhas que caíram.

Quando honramos este ciclo, nós ganhamos sabedoria e energia para algo que está mais alinhado com a nossa essência, esta é uma Primavera plena.

Também conseguimos ficar abertos para receber seja o que for, damos espaço para o universo actuar, assumimos a responsabilidade em vez de culpar os outros, e brilhamos numa expressão mais completa de quem realmente somos, este é um Verão pleno.

Tendo por base o que acontece no Verão, estamos dispostos a questionar as nossas atitudes, a perguntar-nos porque queremos o que queremos, assumimos a verdade e tomamos decisões, este é um Outono pleno.

Em resultado das fases anteriores, não vamos tentar encaixar uma bola num quadrado, vamos sentir ao invés de permanecermos fortes por demasiado tempo, descansar para termos força para nos superar na fase seguinte, abandonar o que não serve para não irmos demasiado carregados, criar espaço para conseguirmos receber, e reflectir para que os nossos planos tenham mais estrutura e essência, este é um Inverno pleno.

Se vivermos esta ciclicidade o que experienciamos é um alinhamento, ou seja sentimo-nos presentes, reais, autênticos, livres e conectados. Ele acontece quando há uma união com o que está a acontecer, quando descobrimos a essência do nosso ser, os nossos valores mais profundos, e nos conectamos a uma fonte mais elevada de inteligência. Estarmos alinhados significa que a nossa experiência é vivida de forma pura e inalterada. Não é uma busca pela perfeição, mas sim pela integridade.

A nossa vida vai ter sempre este ciclo de irmos ao interior, aprofundarmos o escuro e depois expandir-nos ao exterior, e deixar brilhar a nossa luz. Sendo que todas as vezes que nos voltamos para dentro, vamos mais profundo, e todas as vezes que depois nos voltamos para fora, brilhamos com uma luz mais forte.

A vida é esta dança. Uma alternância entre o exterior e interior, fluxo e refluxo, luz e sombra. É assim que a energia no nosso planeta funciona. O primeiro passo para saber dançar com a vida é perceber que este é um ciclo natural. O segundo passo é abraçar tanto o Inverno como o Outono, com a mesma paixão e abertura, com que abraçamos a Primavera e o Verão. O nosso grande equívoco é olharmos para o Inverno e para o Outono como um desalinhamento, algo que eles não são.

É por isso que a vida é bonita, ela corrige-se a si própria. Nenhuma decisão é errada ou definitiva, não vamos poder fazer algo sem ter uma consequência, e não vamos poder estar no lugar errado muito tempo sem algo acontecer.

O que nós sentimos como um bloqueio acontece quando nos desalinhamos, daquilo que achamos que é um desalinhamento. O desalinhamento dessa percepção errada, é que causa a sensação de bloqueio.

Por outro lado, o próprio bloqueio também é uma questão de percepção. Na verdade, não estamos bloqueados, estamos activamente a despender energia nas coisas erradas. É necessário realmente muito esforço para camuflar, manter a fachada, reprimir, distrair-nos ou tentar preencher um vazio com algo exterior. Há muito poder e energia que estamos a utilizar para lutar com o universo. O grande erro é querer sobrepor-nos à natureza, e acharmos que nessa sobreposição nós ganhamos. Mesmo que por um tempo nós ganhemos, no final acabamos derrotados.

Assim, como reagimos sobretudo ao Inverno e Outono faz a maior diferença. Se nos sentimos presos fisicamente, é porque estamos presos emocionalmente. Isso significa que estamos a julgar-nos a nós ou aos outros. O julgamento congela o ciclo e impede-nos de ver a verdade. É preciso estarmos dispostos a expor os nossos julgamentos, a ver a verdade sobre o nosso desalinhamento e ter vontade para sair dele, mais do que para permanecer no mesmo lugar. Para isso, temos que nos sentir merecedores. Se não aceitamos o facto de que merecemos, não vamos conseguir mudar as nossas circunstâncias.

O Inverno e o Outono são estações muito importantes, pois elas são imprescindíveis para sermos livres e essenciais. Elas pedem abertura e capacidade para manter o vazio, como um espaço onde nasce um desejo da alma. Infelizmente, são as estações que mais julgamos e das quais facilmente nos alienamos, pois representam as nossas profundezas, o oculto, o que reprimimos e a verdade. Temos que encontrar paz na ciclicidade, e saber agradecer pelo contraste. É o contraste que nos traz de volta ao nosso centro.

O auto-conhecimento é essencial neste processo, pois nos dias de hoje os efeitos não são imediatos. Normalmente, as coisas acontecem entre um médio e longo prazo, a não ser que haja um grande alinhamento com a verdade. Logo, temos tempo para ganhar consciência, refletir e retificar comportamentos.

Imagina que neste momento recebias uma mensagem da vida, que te dizia que tinhas que fazer o oposto do que estás a fazer, como reagias? Se te sentes revoltado e zangado com a vida, não estás preparado para sair do bloqueio. Mas, se te sentes revoltado e zangado contigo, vais conseguir colocar em prática as dicas que vão constar do próximo artigo.

Até lá, convido-te a ver o filme “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera“, que fala da história de um monge que se perdeu na luxúria, e no amor obsessivo pelo seu primeiro amor. Mesmo perdendo-se de si mesmo, e devido a isso ter cometido actos graves, conseguiu através do perdão e rendição, iluminar a sua experiência e encontrar a paz interior.

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