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O que para um é remédio para outro é veneno

Existe uma história em que uma pessoa dirige-se a um monge e pergunta-lhe: «É necessário abandonar a vida mundana para me libertar do sofrimento?» e o monge responde: «Claro que não, é possível se libertar vivendo em família e prosperidade».

Passado uns minutos uma segunda pessoa dirige-se ao mesmo monge e faz-lhe a mesma pergunta: «É necessário abandonar a vida mundana para me libertar do sofrimento?» mas desta vez o monge responde: «Claro que sim, é essencial abandonar a vida mundana e viver mais isolado».

O discípulo do monge que estava a ouvir a conversa ficou confuso e perguntou-lhe: «Mestre, porque deu duas respostas contraditórias? Afinal, qual é a resposta correta?». O monge respondeu: «Eu apenas dei a resposta que era adequada para a pessoa que tinha à minha frente. A primeira pessoa era perfeitamente capaz de ter uma família, prosperidade e libertar-se do sofrimento, mas a segunda pessoa não ia conseguir, porque a vida mundana iria corrompê-la».

Numa sociedade cheia de dogmas e ideologias as pessoas esquecem que «cada caso é um caso». Cada um partilha as suas ideias e crenças como se fossem absolutas, sem se lembrar que o oposto do que partilham também é verdade.

Boa alimentação representa realidades diferentes para cada pessoa, o que para uma é saúde, para outra pode ser veneno; a mente mente, mas também diz algumas verdades; demasiada intimidade pode reforçar o apego ao físico ou servir de ligação ao espiritual.

Temos que ter discernimento para saber qual é a nossa doença, o seu remédio e a dose certa de o tomar.

Cada vez que tornamos uma ideia numa filosofia ou doutrina acabamos por ficar limitados, negamos a totalidade da vida e se a levamos muito longe ela torna-se na nossa prisão.

Nada é fixo, o que é verdade hoje pode deixar de o ser amanhã. Com certeza não acreditas hoje no que acreditavas há uns anos atrás. O estado natural da inteligência é não acreditar fundamentalmente em nada, é estar sempre a evoluir e a questionar.

Os nossos ideais abrem novos mundos para nós, mas ao mesmo tempo podem fechar as nossas fronteiras, e manter-nos em conflito com outros ideais diferentes dos nossos.

Não podemos perder a habilidade de manter a mente aberta, construir fatos e deixar de tricotar teorias e opiniões.

Acreditar sem termos a experiência daquilo que acreditamos é um tiro no nosso pé. Quando seguimos os outros, isso reduz quem nós somos e deixamos de nos seguirmos a nós.

As próprias filosofias, poemas e tratados sobre a vida são fantásticas explicações para aquilo que não tem explicação. Cativam-nos porque satisfazem aquilo que queremos saber, mas não nos libertam se não as questionar-mos e colocarmos em prática.

Questiona os filósofos, professores e até mesmo Deus. A inteligência vai querer que vivas a vida com inteligência. Tu não tens que ser fiel a nenhum grupo, ideologia ou religião, só tens que ser fiel à tua sabedoria interna.

Quando conseguimos nos manter inocentes ficamos atentos e despertos para a nossa realidade, as nossas crenças não nos cegam nem nos limitam.

Chegaremos a um estado de maior maturidade quando soubermos lidar com as diferenças de forma harmoniosa e flexível, sem necessitarmos de nos defender ou atacar perante um ponto de vista diferente.

Houve o exterior, mas lembra-te de confirmar o que ouves com a tua sabedoria. Sobretudo mantém-te humilde, porque a vida dá muitas voltas e tudo a que nos agarramos fortemente pode um dia voltar-se contra nós.

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