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O outro diz-nos muito de nós mesmos

O conceito de sombra apareceu com Carl Jung e ele representou-a como a pessoa que preferimos não ser. O nosso lado oculto, medos, complexos, aquilo que achamos ser feio e que escondemos dos outros são a nossa sombra.

Suprimimos esses aspectos porque a certa altura recebemos a mensagem de que eles eram errados, ou a nossa lente olha para eles com vergonha e culpa, e assim quer evitá-los a todo o custo. No entanto, a sombra mesmo que não queiramos olhar para ela, ou tenhamos tendência a tentar esquecê-la ou ignorá-la, está ali à espera daquele momento em que a nossa guarda baixe, e ela possa aparecer e ser vista.

Uma parte da sombra cresceu ao mesmo tempo que o ego com frases como: «Não faças isso que é feio», «Não chores porque as pessoas fortes não choram», «Se fizeres isso eu não gosto de ti», «Para seres boa menina tens que fazer o que eu quero». Nós passamos a esconder estas qualidades menos desejadas para sermos amados e aceites pelos outros, para provarmos que não temos defeitos, e que não somos inferiores. Criamos máscaras para sobreviver achando que a sombra desaparece, mas ela continua lá e como foi rejeitada por nós, só a conseguimos ver nos outros e passamos a projectá-la.

Vamos encontrar a nossa sombra em tudo aquilo sobre o qual mentimos a nós próprios, nos pensamentos, emoções e impulsos que achamos demasiado dolorosos, vergonhosos ou detestáveis, na vida secreta que temos e que não queremos que ninguém saiba, nos julgamentos, críticas, atitudes impulsivas e quando exageramos as atitudes dos outros ou nos irritamos com eles. Quanto mais depressa percebermos que os outros espelham aquilo que não gostamos em nós, mais depressa a sombra deixa de nos incomodar.

Integrar a sombra vai implicar alcançar uma aceitação genuína do passado e de todos os aspectos de nós mesmos; sentir-nos livres da culpa e vergonha associada aos pensamentos e atitudes negativas; reconhecer a nossa projecção nos outros; ter relacionamentos com os outros da forma mais honesta e transparente possível e principalmente aceitar a dor que a sombra nos causa, o que pode implicar ter de passar por ela de uma forma mais consciente e sem resistência.

No entanto, nem tudo é mau com o nosso lado sombra, pois se o que nos irrita nos outros de alguma forma é nosso, quando vemos nos outros as qualidades mais geniais e magníficas, elas também são nossas. Não é por acaso que perante uma pessoa, uns reparam mais na sua generosidade, outros na sua calma, outros na sua simpatia, pois cada um vai reparar mais em aspectos que tem dentro de si mesmo. Se achas que não tens é apenas porque existe algo em ti que não te permite vivê-la, talvez o medo ou crenças.

Abraçar a sombra luminosa é tão ou mais difícil do que abraçar a sombra obscura, porque de certa forma nós somos muito resistentes ao nosso brilho. Quando vires no outro uma qualidade que ressoe muito contigo em vez de dizeres: «Uau, como ela brilha!», habitua-te a dizer «Uau, estou a ver o meu lado brilhante reflectido nela!». Cultiva a tua sombra luminosa e acredita que és merecedor dela.

Todas as experiências negativas pelas quais passamos diariamente são uma oportunidade para abraçar o que achamos pior em nós, e todas as experiências positivas pelas quais passamos diariamente são uma oportunidade para abraçar o melhor em nós.

Sugiro que reflictas sobre o seguinte:

Que aspectos ou comportamentos de outras pessoas te irritam ou julgas que não são apropriados? Há em alguma parte da tua história uma altura onde já a viveste ou não te foi permitido vivê-la? O que ganhas se aceitares essa parte de ti?

Pensa numa pessoa que admires muito. Que qualidade mais admiras? Que acções podes tomar para integrar essa qualidade na tua vida? O que ganhas se te permitires expressar, de algum modo, essa qualidade?

Sê muito gentil contigo, principalmente com o teu lado sombrio.

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