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Mini inspirações para iluminar um bloqueio – Parte 2

(continuação da parte 1)

Não temos controlo, podemos apenas influenciar algumas coisas

O controlo torna-se numa adição. Quando começamos a controlar, nós temos que manter o controlo.  A questão é que este controlo torna-nos mais rígidos, e traz muita tensão para o nosso corpo, porque as situações estão sempre a sair fora do nosso controlo.

Associado ao controlo está o medo de perder. Pensamos erradamente que controlando evitamos a perda, mas na realidade acontece o contrário. Aquilo que controlamos consequentemente perdemos. Logo, são as perdas consecutivas que impulsionam um despertar.

Duas coisas têm que acontecer na consciência de um controlador. A primeira é ele compreender que controlar não resulta. A segunda, é ele compreender que a dor não vem da perda de algo exterior, mas de um vazio interior já existente. Por isso, as perdas vão ter um sabor amargo, até que em termos conscienciais a pessoa consiga estar confortável com esse vazio, integrando-o.

De modo a estarmos confortáveis com a suavidade, liberdade e com o que está a acontecer aqui e agora, a consciência tem que acompanhar. Em contrário, não vamos conseguir fluir com a vida, nem receber as adversidades e contrariedades, pois há uma tendência a ficar mais na defensiva, a existir frustração, medos ou ansiedades, que vão criar bloqueios sucessivos.

Quando ficares nublado permite-te chover

Explorar as emoções é algo muito individual. Não há nenhuma receita, nem nenhum passo-a-passo. Cada um tem que ter vontade de entrar neste território, e lidar com o que lá está.

Emoções negativas reprimidas podem manifestar-se através de mudanças de humor ou explosões súbitas. Além disso, também afectam os órgãos do nosso corpo e criam doenças. O bloqueio tem um teor vibracional, do qual fazem parte emoções suprimidas, palavras não ditas e atitudes não tomadas. Nós não conseguimos sair de um bloqueio, se nos mantivermos no mesmo nível vibracional em que estávamos quando ele aconteceu. Fugindo das emoções não completamos o percurso. Se não completamos o percurso, a nossa realidade, mesmo mudando de cenário e de actores, não sofre grandes alterações.

Seria melhor se em vez de tentarmos colocar uma máscara, para encobrir o que sentimos, nos permitíssemos sentir. Mas, nem sempre é fácil. Fica é menos difícil com o tempo, à medida que constatamos que é lá que reside o poder. Isso faz com que deixemos de associar o chorar a derrota.

Como diz o poeta Rumi “a cura para a dor está na dor”. Pessoas que se permitem chorar, libertam-se mais rápido. Quando deixamos de temer as emoções, ficamos mais no corpo. Ao ficar mais no corpo, estamos mais centrados. Os nossos condicionamentos deixam de ter poder sobre nós, e o espaço entre o estímulo e a reacção é maior. Só temos a ganhar. Que nos lembremos disso quando surgir a oportunidade de chorar.

Deixar ir é deixar chegar

O que queremos dá-se na proporção do que estamos dispostos a perder. Não podemos ganhar nada, sem perder alguma coisa ao mesmo tempo. Logo, para recebermos algo que queremos, temos que deixar ir o que não queremos. Ambos têm que estar claros, para não nos enganarmos.

Podemos começar por perceber o que estamos prontos para eliminar. Não é preciso ser uma grande mudança, se não formos capazes de a fazer. Basta começar por uma limpeza geral na casa, e tirar tudo o que já não ressoa connosco, ou colocar num caixote para ir deitando. Depois podemos descobrir os nossos valores pessoais e ir ajustando a nossa vida a eles. De seguida, à medida que vão surgindo resistências e contrariedades, vamos lidando com elas. Umas vezes através do caminho menos percorrido, e outras vezes através de um processo reflectivo.

Apego ao passado, a situações incómodas ou hábitos destrutivos reflectem falta de valorização pessoal. Temos que trazer consciência, habituar-nos a dizer a verdade, chamar as coisas pelos nomes, e enfrentarmos o que não queremos ver. Apenas o que permitimos continua, temos que assumir essa responsabilidade.

Sem uma visão para o futuro acabamos a retornar ao passado

Quando não há consciência e clareza em relação ao que queremos, ou para onde queremos ir, os nossos condicionamentos são uma força muito forte. Eles podem iludir-nos e colocar-nos em situações que não são as melhores para nós, a não ser de um ponto de vista evolutivo. Podemos sempre aprender com tudo, mas evitar alguns dissabores, também é um sinal de inteligência. Entre nós e os nossos condicionamentos, temos que aprender a escolher-nos a nós.

Para criar esta visão temos que resgatar o poder que entregamos a outras pessoas, lugares ou coisas. Enquanto o exterior estiver a ser usado, para definir a nossa existência, a visão que criamos não é a nossa, mas a dos outros para nós.

A nossa felicidade tem que ser determinada pelas nossas escolhas. Como isto requer responsabilidade, muitas pessoas nem sequer decidem, ou permitem-se ficar em situações intoleráveis tempo demais. Elas preferem culpar os outros, do que assumir a sua responsabilidade. Na primeira possibilidade se algo falhar têm a quem culpar. Na segunda possibilidade se algo falhar, têm que assumir as consequências. De certa forma, elas optam por alimentar a criança, em vez de reclamar o adulto.

Para criarmos a nossa visão precisamos de perspectiva, lógica e planeamento. Precisamos dar-nos a oportunidade de sonhar, e de questionar os nossos sonhos, para ter a certeza de que não são meras fantasias. A visão está relacionada com as nossas aspirações e insights. Ressoará melhor se incluir os nossos valores e ideais. Só nos vai preencher se honrar as nossas lições. Honrar as nossas aprendizagens é o mais desafiante, mas o que tem maior nível de preenchimento. Quando conseguimos perceber quais são, estamos mais perto de acertar com a visão certa para nós. Por isso, a visão essencial não pode ser criada da noite para o dia. Criamos primeiro de acordo com a consciência do momento, e depois vamos refinando e ajustando com o tempo.

Procura ajuda externa

Esta é uma parte muito importante, eu mesma várias vezes por ano procuro ajuda externa, para ganhar perspectiva e distância das minhas fragmentações. Contudo, sinto que faz uma grande diferença o tipo de ajuda que se procura. Muitas pessoas procuram consolo, e se olharmos à nossa volta o que não falta por aí é consolo espiritual.

O problema em procurar consolo, é que apenas conseguimos ir mais profundo na nossa ignorância. Logo, temos que estar dispostos a procurar a verdade, e para isso temos que procurar o desconforto. Temos que pretender algo que não suporte as nossas limitações, mas que as ameace e questione. O primeiro passo é criar uma vontade tremenda de querer saber a verdade, e então a ajuda aparece.

Conclusão

Saber viver é fazer o melhor que podemos com o momento em que estamos. Lidar com bloqueios é uma questão de consciência, autoconhecimento e auto-enfrentamento. Requer apenas começar a dar alguns passos, e aproveitar as oportunidades de transformação.

Se fores mulher, podes começar por estudar o teu ciclo menstrual. Através dele vais percorrendo todas as estações, e passando por todos os processos mentais, emocionais e corporais de que falei nestes dois artigos.

Se fores homem, talvez seja bom compreender em que ponto estás na tua jornada. Já tiveste o chamado para a aventura? Recusaste ou aceitaste? Encontraste ou procuraste algum Mentor? Estás a ser testado ou desafiado? Já tiveste algum renascimento? Já sentiste um grande retorno devido a isso? Já tiveste um retrocesso? Já voltaste ao elixir? Podes ler o livro  “A Jornada do Herói”, de Joseph Campbell para te inspirar.

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