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Mini inspirações para iluminar um bloqueio – Parte 1

A maioria das pessoas repete os seus padrões e reações, uma e outra vez. O lado negativo é que vivemos a mesma história de infelicidade várias vezes, mas também há o lado positivo. A repetição pode significar transcendência, em vez de significar escravidão.

Ter a mente livre é essencial para ter a vida que queremos

Quando a mente não está equilibrada perdemos o centro facilmente. Sem o centro, os nossos impulsos, carências e convicções ganham poder sobre nós. Consequentemente, o que vamos criar na nossa vida acaba por ser muito acidental e limitado.

Organizar a nossa mente significa sair de um estado compulsivo, para um estado voluntário de consciência. A compulsão significa que nós estamos identificados virtualmente com tudo o que se passa connosco – pensamentos, desejos e emoções. Aquilo em que acreditamos fortemente, os hábitos e padrões enraizados na nossa consciência, comandam a nossa vida. Se formos realmente honestos não temos uma presença clara e genuína durante o nosso dia-a-dia.

Deste modo, muito poder em pessoas que não estão acordadas, ou que não estão a fazer nada para acordar, torna-as gananciosas, iludidas e egocêntricas. As restantes podem entrar em caminhos autodestrutivos, porque não têm responsabilidade para usar de forma positiva, aquilo que hoje temos com facilidade.

Se queremos atingir um estado de alinhamento, temos que aprender a olhar para o que dizemos e o que pensamos, sem nos envolvermos. Quando há uma identificação com algo, o julgamento correspondente é automático. Se estamos identificados acreditamos que nós e o objecto da nossa identificação somos um, e nestas condições é muito difícil deixar ir.

Nós podemos praticar não nos identificarmos tanto com as coisas. Se surge um bloqueio, podemos dizer “Eu estou a notar a minha mente a querer acreditar em…”. O objetivo não é criar um pensamento que nos traga conforto, ou uma afirmação positiva. Mas sim, procurar por nós no meio do bloqueio. O bloqueio são as nuvens, nós somos o céu. O que estamos a fazer é a relembrar que as coisas apenas existem. Elas surgem, mas nós podemos deixá-las ir, sem tentar mascará-las ou enfeitá-las, porque com isso continuamos a fazer com que elas fiquem.

Com a prática podemos ter um momento de despertar, e isso faz com que continuemos a praticar. Com o tempo a excepção é uma tendência, e a tendência vira a norma. A prática é a única forma de criar uma felicidade mais estável.

O compromisso tem que ser com a expansão de consciência

Ao contrário do que possamos pensar o compromisso organiza a nossa mente, emoções, atitude e energia. Ele obriga a que em vez da mente ir para um lado, as emoções para o outro, a atitude não acompanhe e a energia falte, que vão todos na mesma direcção.

Se o que queremos está claro neste momento, então nós temos que investir sabiamente energia nisso. Quando não está temos que nos dar a oportunidade de explorar, e de mudar de caminho quantas vezes foram necessárias. Faz parte do processo em qualquer um dos caminhos, deparar-nos com erros e desilusões. Muitos dos bloqueios acontecem porque não os vemos como necessários.

Fernando Pessoa tem uma frase que se enquadra perfeitamente, “adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; regugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.”

Quando buscamos a perfeição, tornamo-nos muito críticos e julgativos, com os outros e connosco. Logo, ao invés de vermos a adversidade como um incentivo para melhorar e evoluir, ficamos presos na culpa e acorrentados ao passado.

Comprometer-nos com a expansão de consciência simplifica o processo, pois tudo o que acontece passa a servir esse propósito. Cada vez que erramos, o erro serve de exemplo. Cada vez que nos perdemos, ganhamos a possibilidade de nos encontrarmos. Cada vez que nos vemos no lugar errado, estamos mais perto do lugar certo. Cada vez que falhamos, descobrimos o que não resulta. Cada vez que algo termina, aprendemos a deixar ir. Assim, cada vez que temos uma desilusão, nós agradecemos, porque estamos mais perto da verdade.

Ambicionar sucesso social é uma forma miserável de estruturar a nossa vida

Por outras palavras, isto significa que temos que aprender a criar estabilidade dentro de nós e compreender o nosso verdadeiro valor. Nós não somos apenas o que possuímos, e o que temos não nos faz pessoas melhores. Quando não sentimos isto, não conseguimos seguir em frente com a nossa vida, ou em determinada altura acabamos a dar um tiro no nosso pé.

Acontece muito quando esta forma de pensar não está interiorizada, que as pessoas troquem o sucesso social pelo sucesso pessoal. Algumas pessoas escolheram profissões na Medicina, Direito e Política apenas porque têm maior potencial de riqueza. Mas, ninguém é bem sucedido se quer exercer determinada profissão apenas porque é lucrativo. Não é por acaso que essas áreas são aquelas onde há maiores níveis de corrupção. A paixão é incorruptível, e está sempre ao serviço dos outros.

Nos últimos anos ficou na moda o empreendedorismo. O sucesso passou a ser ter uma missão e um propósito. Contudo, o que aconteceria com as escolas, hospitais, padarias, supermercados e outros serviços se de repente todos quisessem seguir esse modelo de sucesso?

Todos somos necessários e todos fazemos a diferença na vida um dos outros. Faz-me pensar em quantas pessoas chegam a precisar de um Juiz na sua vida, e quantas pessoas precisam que alguém vá buscar o lixo da sua rua. Se a recolha do lixo estiver um mês sem aparecer, a rua fica inabitável.

Por isso, para algumas pessoas os seus sonhos vão precisar encaixar-se na realidade, e as suas ilusões transformar-se em ideias viáveis. Talvez precisem questionar se o grande desejo de fazer algo que lhes traga felicidade e as motive o tempo todo, vem ou não de uma necessidade de recalcar questões desagradáveis. Se não encararem esta possibilidade de frente, é muito fácil cair em contos do vigário. Criar a vida certa para nós é mais fácil, quando os nossos pés estão a pisar solo sólido.

Para outras, acontece o contrário. Mesmo após esse questionamento, há um fogo que não se apaga, uma paixão que não cessa, e uma vontade que não se extingue. São estas as pessoas que vão conseguir levar essa causa a sério, e até ao fim. No entanto, elas não são melhores. Elas precisam das outras, tanto quanto as outras precisam delas.

Todos trabalhamos para o mesmo patrão, cada um no seu lugar e à sua maneira. Temos que descobrir não o que os outros definiram como certo, mas o que é certo para cada um de nós, e procurarmos viver a nossa vida máximo.

Não deixes que os teus projectos e amizades interfiram com os teus sonhos

Há um ditado que diz “mostra-me com quem andas e te direi quem és”. De facto, as nossas escolhas sociais têm uma grande relação com os resultados que conquistamos. As outras pessoas podem purificar-nos com bons hábitos ou contaminarem-nos com a sua negatividade. Elas são fundamentais para a realização dos nossos sonhos.

Assim, uma das coisas que temos que verificar é distinguir quais relações não são satisfatórias. Depois, uma das primeiras coisas a fazer é diminuir o impacto delas sobre nós.

Podemos fazer isto vendo com quem passamos a maior parte do nosso tempo. A seguir, analisamos o teor das actividades, conversas e assuntos em debate. Em seguida, questionamo-nos se isso está alinhado com os nossos valores e objetivos, e se saímos de ao pé delas inspirados para os honrar.

Esta dica serve para qualquer pessoa, mas é uma lição importante especialmente para quem tem Úrano ou Aquário na Cúspide da Casa XI, pois vai ter que olhar honestamente para esta questão. Há grande probabilidade de a determinada altura da sua vida, ter que abrir mão de projectos e amizades, para realizar os seus sonhos. Podes ler outras lições aqui.

Quem não se analisa não conhece o seu adversário

Estejas onde estiveres, quem és num todo vai estar lá contigo. Logo, o desenvolvimento pessoal é a única coisa que garante que vais ser bem sucedido.

Muitas pessoas desejam uma vida fácil, longe de conflitos ou impedimentos de qualquer espécie. Infelizmente, dessa forma nunca chegam a analisar a sua personalidade, erros e fraquezas.

O verdadeiro poder pessoal provém de conhecermos os nossos valores, defeitos, pontos fortes, julgamentos, bloqueios, e expandirmos a nossa área de conforto. Não importa o que consigamos criar e conquistar na nossa vida, enquanto não tivermos uma relação íntima connosco, vamos estar sempre a sentir que falta qualquer coisa.

Uma das coisas que devemos esmiuçar muito bem é a nossa capacidade de receber. Há apenas uma determinada quantidade de sucesso, bem-estar, abundância ou amor que conseguimos aceitar, até acionarmos os nossos mecanismos de defesa.

Algumas pessoas têm dificuldade até em agradecer um elogio. Como não o conseguem receber, elas não deixam o elogio entrar, e desviam a sua energia para não a sentirem.

A nossa dificuldade em receber está relacionada com a nossa experiência de criança. Com aquilo que recebemos dos nossos pais directamente, e enquanto casal. Assim, a situação actual faz surgir reacções subconscientes, porque existe uma associação com uma experiência passada.

Por isso, acabamos a viver esta dualidade de uma forma muito forte. Queremos ser felizes, mas ao mesmo tempo à medida que a felicidade se aproxima, começamos a sentir-nos não merecedores. Isso faz com que inconscientemente afastemos a felicidade, e não nos permitamos vivê-la. As crenças negativas, julgamentos e reacções são apenas mecanismos de defesa. Temos que ter a coragem de ir além deles, para compreendermos a ilusão que existe neste processo.

Começar a receber pode ser tão simples como começar a perceber quando nos fechamos. Em que situação? Com quais pessoas? Como reagimos? O que pensamos? Se conseguirmos observar este processo ganhamos poder para o desmantelar.

A principal decisão que tens que tomar é deixar de ser vítima

Todos nós em maior ou menor grau somos vítimas das nossas inseguranças, obsessões, experiências passadas ou de laços nocivos. No entanto, a vítima é incapaz de transformar os seus padrões de pensamento e comportamento. Ela é a mártir da sua história.

Com alguma vontade podemos começar a distinguir as nossas falsas convicções. Depois, com esse conhecimento vamos ser capazes de rejeitá-las, e de criar espaço entre nós e elas. Quanto mais esse espaço vai crescendo, menos ficamos identificados. Isso permite encontrar uma nova perspectiva e reescrever uma velha história. Quando pensamos diferente, podemos fazer diferente também.

Se queremos ser livres e felizes, vamos ter que desenvolver uma relação muito forte com a verdade. Para isso, temos que expor as mentiras, para nos livrarmos delas. A fim de seguirmos com a nossa vida, o investimento naquilo que não nos serve tem que ir reduzindo.

(continua no próximo artigo)

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