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Mestria como valor pessoal

Nesta semana, várias pessoas fizeram o download do workbook “Quais são os teus valores pessoais“. Como senti que algo novo tinha surgido, decidi também eu repetir os exercícios e partilhar contigo, a título de exemplo, um dos valores que surgiu.

Nas várias questões para reflectir, temos que encontrar nas nossas respostas os valores que estão presentes. De seguida, agrupamos os valores semelhantes, e depois de outras fases chegamos a cinco valores principais. Valores como compreensão, acolhimento, inclusão, alinhamento, abraçamento e abrangência apareceram frequentemente, sobretudo a inclusão.

A inclusão é um valor feminino, e está relacionado com a própria vida. A natureza é inclusiva, pois tudo faz parte dela e tem o seu valor. As experiências que mais me trouxeram preenchimento, foram aquelas onde o valor de inclusão e semelhantes foram vividos. Pelo contrário, quando não foi possível incluir o outro lado, a outra perspectiva, a outra pessoa ou qualquer outra coisa, sentia que estava a lidar com a energia da sombra, resistência e medo. Por isso, considerei o valor mestria, aquele que, mais uma vez usando a inclusão, inclui todos os outros.

Uma das partes importantes quando sabemos quais são os nossos valores, é reflectir sobre o que cada um significa para nós. Não há definições erradas, cabe a cada pessoa definir o que entende sobre cada valor, para que haja integridade.

Com base nas minhas respostas juntei algumas ideias sobre mestria: ouvir e sentir todas as partes de mim, para ser capaz de diferenciar uma orientação da essência e de uma persona; saber controlar e desenvolver os meus recursos internos para trazer ao de cima o melhor de mim; acolher o que o outro está a sentir, e o que eu sinto através do outro, sem dramatizar ou mecanizar; ser capaz de tomar decisões rápidas e que reflictam o que é certo para mim; sintonizar e acolher o exterior, sem trair quem eu sou; embodiment do que é verdade para mim; adequar o comportamento e palavras às situações; honrar todas as realidades e dimensões como forças importantes na minha vida.

Assim, para mim mestria é uma habilidade que permite saber o que está a acontecer dentro e fora de mim, de forma a ter uma resposta inclusiva, essencial e eficaz.

Num mundo onde os extremos prevalecem, sinto ser cada vez mais importante compreender que duas verdades podem coexistir ao mesmo tempo, sem que uma seja menos verdadeira do que a outra. Quando não nos sentimos confortáveis com uma delas, isso significa que temos que expandir a nossa capacidade de questionar e sentir. Temos que ser mais buscadores e menos «eu já sei tudo».

Porque não podemos celebrar «somos um» e «somos separados» com a mesma alegria?

Nós estamos inseridos no mesmo campo de energia, que afecta e age sobre todos, mas ao mesmo tempo somos uma existência material e individual. Logo, podemos viver a nossa originalidade, abraçar o que nos distingue dos outros, e ao mesmo tempo não viver através disso.

O «somos um» dá-nos a compaixão e o entendimento da nossa realidade individual com a totalidade da criação, mas o «somos separados» dá-nos polaridade, presença e atracção. Através de um nós conseguimos ver toda a floresta, mas através do outro nós conseguimos pisar na terra, sentir o vento e tocar nas árvores.

Porque não podemos celebrar «riqueza interior» e «riqueza exterior» com a mesma alegria?

Li uma história em que uma vez perguntaram ao Gandhi: «Imagina que vais a andar na rua e encontras um saco. Dentro de um deles está a sabedoria e do outro está uma grande quantidade de dinheiro, qual dos dois tiravas?» Gandhi responde sem hesitar: «É claro que tirava o saco com o dinheiro». O outro diz a sorrir: «Eu, ao contrário, agarrava o saco com a sabedoria». «Cada um tira o que não tem» responde Gandhi.

Ambicionar riqueza exterior não é errado, desde que seja com a consciência de que ela é passageira e ilusória, caso dependamos dela para nos sentirmos com valor. Na nossa sociedade, o dinheiro compra abrigo, alimentação saudável, saúde, aventura e auto-conhecimento. Nós precisamos dele até mesmo para vivermos desafogados e evoluir.

No entanto, o nosso preenchimento não existe com mais sucesso ou dinheiro, isso pode piorar e alimentar a distância de nós mesmos, e da nossa riqueza interior. Com riqueza interior, saberemos aproveitar mais sabiamente a riqueza exterior, e fazer bom uso do dinheiro.

A riqueza exterior auxilia o nosso progresso, mas é preciso mestria para ser bem sucedido na sua gestão. Manter o equilíbrio e o bom senso requer muita riqueza interior. Não foi por acaso que Jesus disse ser mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus.

Porque não podemos celebrar «verdade universal» e «verdade humana» com a mesma alegria?

Quem vive a primeira verdade com mais intensidade é desapegado exageradamente, não se permite tocar, sensibilizar, receber e sentir. Por outro lado, quem vive a segunda verdade com mais intensidade, perde-se no drama, sentidos, irracionalidade e vitimização. Torna-se difícil viver a primeira e não abraçar a segunda, sem acabarmos por nos sentir superiores ou especiais nesse processo.

De forma a ter uma experiência equilibrada e preenchida, precisamos da parte espiritual e da parte humana. Podemos viver a nossa espiritualidade para sermos mais sábios e despertos, e podemos abraçar a nossa humanidade, verdades humanas e leis humanas, essenciais para criar ordem e organização entre pessoas, que ainda não estão organizadas interiormente. Podemos viver em ambos os mundos sem nos identificar-nos com nenhum dos dois.

Porque não podemos celebrar «não levar a peito» e «levar a peito» com a mesma alegria?

É muito tentador não levar a peito, contudo não levar a peito só resulta se o que aconteceu não tocou numa parte de nós. Quando algo do exterior provoca uma reacção emocional, se nós não aproveitamos essa oportunidade para trabalhar essa questão, perdemos a chance de a integrar e de aprender com a situação.

Normalmente, nós evitamos com facilidade o que é desagradável, e fingimos ser calmos, desapegados ou evoluídos para fugirmos de nós. Mas, a sabedoria obriga-nos a ficar presentes, a incluir, a sentir e depois a desconstruir, pois só isso fará com que numa nova situação estejamos desvinculados das nossas reacções, e consigamos agir de uma forma natural.

No entanto, esta atitude obriga a um contacto com as emoções, algo com o qual não estamos habituados. Mas, podemos trocar o desconforto temporário, pelo benefício duradouro de estarmos a cuidar das nossas inseguranças, a desenvolver consciência e a saber detectar melhor quando as pessoas estão a ser justas connosco. Quando cuidamos das partes que levam a peito, ficamos livres dos nossos automatismos, e só levamos a peito quando temos mesmo que levar.

Porque não podemos celebrar «mudança exterior» e «mudança interior» com a mesma alegria?

Nos dias de hoje a beleza está prostituída. Por isso, ela é um grande teste para as pessoas, pois o importante da beleza é o que fazemos com ela. Muitos conseguem atrair várias coisas através da estética, mas ao mesmo tempo é uma vida desperdiçada em termos evolutivos, se não conseguem ir além disso.

De um ponto de vista espiritual, a beleza física impõe a quem a possui, a responsabilidade de usá-la e exibi-la para elevar a consciência, sem submeter os outros a interesses imaturos, desonestos e impuros. A espiritualidade entende que o propósito maior é trabalhar o que movimenta o corpo – a consciência.

Por isso, os buscadores procuram a integridade do equilíbrio. Quando trabalhamos muito o corpo e não mexemos no interior, acabamos por criar uma distorção, e vice-versa. O ideal é trabalhar ambos, porque eles não estão separados, um afecta o outro.

Uma estética equilibrada ajuda na vida pública e na comunicação com os outros. A energia e a estética juntas colocam-nos num nível melhor, do que se estivessem separadas. A força presencial é enriquecida, e faz com que atinjamos um outro patamar.

Num processo de mudança, pode ser importante melhorar a estética, acompanhando a mudança interior que está a ser feita. Pode ser um novo corte de cabelo, uma nova cor ou um novo estilo, que dignifique o interior. Mas, convém lembrar-nos que estarmos bem na nossa pele, e termos uma espiritualidade madura, é mais bonito que qualquer beleza física. Sem enriquecimento interior, a beleza exterior não é sustentada.

Porque não podemos celebrar «sentir» e «pensar» com a mesma alegria?

Até aos 16, 17 ou 18 anos, altura em que atingimos a maioridade, nós somos dependentes dos nossos pais e da sociedade. No entanto, a maioria de nós continua dependente mesmo numa fase adulta. Buscamos aprovação, aplausos e reconhecimento.  De acordo com Joseph Campbell, apenas seremos adultos verdadeiramente quando rompermos com essa dependência, e trilharmos o caminho da autoridade pessoal. Quem continua a investir no intelecto através de doutoramentos, cursos ou conhecimento fica dependente até mais tarde, ou pode nunca deixar de o ser.

O intelecto é muito útil, ele protege-nos, salva-nos da fantasia e dá-nos pensamento crítico e questionamento. Mas, se seguirmos o intelecto não vamos muito longe. O corpo emocional e o corpo espiritual são muito superiores. Para evoluirmos e trilharmos o caminho do meio precisamos de uma mente aberta, coração amoroso e intenções puras. O corpo mental, emocional e espiritual têm que estar harmonizados, para sabermos utilizá-los eficazmente na altura certa.

Porque não podemos celebrar «entregar» e «criar» com a mesma alegria?

Algumas pessoas defendem que não se deve planear, outras defendem que o planeamento é essencial. Na realidade, ambos estão correctos e há um momento certo para cada um. Os dois já aconteceram comigo. Às vezes basta colocar uma intenção e entregar, porque a vida trata de arranjar as coisas para nós. Outras vezes, não é o suficiente. Algumas coisas simplesmente não aparecem feitas. Temos que ter uma visão clara, acção inspiradora, e colocar energia, foco e dedicação nesse processo. O que mais queremos, pede um pouco mais de nós.

Porque não podemos celebrar «medicina convencional» e «medicina natural» com a mesma alegria?

Não podemos tirar o mérito à medicina convencional, por ter tido um papel importante no aumento da nossa esperança de vida. Contudo, a medicina convencional normalmente só trata o sintoma, e não tanto o que originou o sintoma. Assim, ela olha para a doença como um inimigo a abater, que se resolve eliminando os seus efeitos. Normalmente, usa a cirurgia ou medicamentos, que por sua vez geram outros efeitos, que são tratados do mesmo modo.

A medicina natural promove o bem-estar a longo prazo, ao apoiar o nosso próprio corpo a fazer uma auto-cura. O tratamento da doença não é o foco principal. Ela procura identificar a mensagem do corpo, como ele está a reagir e ajuda-o nesse processo. Os resultados são a redução ou eliminação de medicamentos, reversão da doença e uma maior vitalidade.

A maioria das doenças podem ser prevenidas com um estilo de vida saudável, redução de stress e com uma boa relação com o nosso corpo. Outras temos mesmo que passar por elas, e retirar daí a nossa aprendizagem. Algumas doenças podem ser mesmo muito importantes, e fazer a diferença na nossa vida para melhor. Vê-las como negativas ou inimigos a abater, não traz grande benefício.

Sinto que a medicina convencional recebeu demasiado poder, e por isso tornou-se muito lucrativa. No entanto, é um recurso a considerar em casos de emergência, cirurgia, ortopedia e para aprofundar diagnósticos.

Através de um Check-up Quântico, podemos saber mais sobre o nosso estado de saúde, do que através dos Check-up convencionais. Além disso, compreendemos o que está a causar os sintomas de doença, e assim podemos abordar aquela que é a sua verdadeira causa. A Medicina Tradicional Chinesa, Ayurveda, Homeopatia, Hipnoterapia e Medicina Energética, são excelentes alternativas a considerar como tratamento ou complemento.

Cada um terá que sentir o que é melhor para si, com relação à sua situação de doença. Sinto que usando tanto a medicina convencional como a medicina natural, a cura pode ser mais profunda e definitiva. O essencial é passar a confiar mais no que sentimos, intuímos e não tanto no exterior, a cura verdadeira acontece dentro de nós.

Porque não podemos celebrar «luz» e «sombra» com a mesma alegria?

Já falei sobre a sombra em vários artigos, podes explorar melhor este assunto aqui. Falar sobre a sombra é falar sobre magnetismo, carisma e polaridade. As pessoas mais fascinantes que conhecemos, são aquelas que conseguem honrar tanto a sua luz como a sua sombra. Quanto mais honramos e integramos a sombra, mais capacidade temos para ser luminosos. Tal como diz Jung “qualquer árvore que queira tocar o céu, precisa de ter raízes tão profundas a ponto de tocar os infernos”.

A polaridade que existe entre dois opostos é uma força mágica e imparável. É o contraste que torna a luz luminosa e brilhante. Quando não honramos a sombra somos vagos, ambíguos, imprecisos, instáveis e duvidosos. Quando honramos a sombra a nossa verdade é real, ganha forma, e existe tanto na cabeça como no corpo.

Conclusão

Mesmo sem teres o valor de mestria, ou tendo para ele um significado diferente do meu, espero que consigas retirar do que escrevi algo importante para ti. Alguns valores levam-nos a reflexões mais profundas do que outros. Neste caso, irei reflectir e mergulhar bastante neste, talvez o resto da minha vida.

Um valor pessoal é uma visão e um guia. Podemos nem sempre conseguir honrá-lo, o fundamental é não ficar muito abatido com as falhas, nem muito orgulhoso com os progressos. O desafio maior não é aprofundar o seu conhecimento, mas saber usá-lo. Só pela prática deixamos de aspirar um valor e passamos a ser o valor que aspiramos.

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