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Dharma é aprender a fluir

A palavra Dharma é normalmente usada no Budismo para definir os Ensinamentos de Buda, mas ela tem um significado mais amplo.

Os antigos Sábios Védicos através de estados meditativos e contemplativos conseguiram chegar a uma percepção da ordem cósmica da vida e da sua natureza cíclica, interdependente e impermanente. Entretanto, este conhecimento perdeu-se e foi resgatado pelo Buda. Alguns historiadores referem que no futuro o Dharma vai-se perder de novo, sendo resgatado novamente.

O Dharma representa a natureza de todas as coisas, na sua forma mais pura e sem interferência da mente.

Estamos a viver em Dharma,

* quando aprendemos a fluir com a vida e com os seus altos e baixos;

* quando aceitamos a natureza impermanente das coisas;

* quando fazemos por não repetir o mesmo erro e ao mesmo tempo não temos medo de cometer nenhum;

* quando desenvolvemos uma conduta que se opõe aquilo que nos faz mal, aos outros e à natureza ou nos leva a uma morte prematura;

* quando damos sentindo à nossa vida, aprendendo e evoluindo com ela.

Não estamos a viver em Dharma se vivemos apenas em função da vida biológica. Quando a nossa vida é mecânica, sem consciência do porquê das nossas ações e emoções e nos permitimos ser arrastados pelos outros, sem questionar sobre o real sentido de tudo o que existe. Se vivemos a vida apenas pela inconsciência não estamos a aproveitar o que de melhor ela tem para oferecer.

Viver em Dharma é aproveitar a vida biológica como uma oportunidade para aprender. Só assim a vida biológica ganha sentido e nós ficamos receptivos a todas as experiências que vamos vivendo.

Viver em Dharma não é igual a desenvolvermos ética ou moral para ganharmos o paraíso depois da vida terrena, mas sim desenvolvermos uma compreensão profunda de como funciona a vida, para vivermos uma vida terrena em harmonia.

O mundo violento de hoje é um reflexo da falta de Dharma na vida das pessoas.

O Dharma é algo que podemos aprender com a natureza, ou praticando o que lemos em livros. Ele ganha forma e consistência quando nos desiludimos pela vida sem o Dharma, e nos cansamos das mesmas situações e reações, que nos levam à igual sensação de frustração.

O Dharma é o nosso melhor refúgio e aquilo que nos tira da aflição, desespero e sofrimento.

O Dharma está tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Ele é um convite para conhecer a nossa natureza, para questionar quem somos, e o que acreditamos sobre nós e sobre a vida.

Quando nos propomos a fazer o caminho do Dharma vamos constatar que mais do que conhecer o Dharma, é importante ser a materialização física dele. Nessa altura, vamos compreender que ele não é algo a alcançar, mas algo que já existe dentro de cada um de nós, e que está disponível em qualquer momento.

Todos os momentos são uma oportunidade para encontrar o Dharma, é tudo uma questão de como os aproveitamos.

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